1. EDITORIAL 5.12.12

"O NOVO BAQUE ARGENTINO"
 Carlos Jos Marques, diretor editorial

A Argentina caminha clere de volta ao cadafalso. J h quem aponte a ameaa de um novo calote da dvida externa e de um perodo tenebroso de revs econmico e social. Nas ruas a insatisfao passou a ser sentida. A greve geral semanas atrs foi apenas o primeiro sinal do grau de preocupao da populao. Com as contas pblicas desarrumadas, inflao em repique e fuga de empresas para outros mercados, o pas mergulhou numa temporada de indicadores negativos e, por tabela, de acirramento poltico. Parlamentares da oposio tm destacado o comportamento hesitante da presidenta Cristina Kirchner e a maneira belicosa e pouco transparente como ela vem tratando questes prioritrias no campo do gasto pblico. A maquiagem de dados para disfarar o tamanho do problema transformou-se numa constante. Com medidas impopulares como o cerceamento da liberdade de imprensa, Kirchner est colhendo crticas inclusive dentro do governo e sua base de sustentao reduziu sensivelmente nos ltimos tempos, recolhendo-se a alas pouco representativas do peronismo. Com a popularidade em baixa, o ndice de aprovao  gesto da presidenta desabou, chegando  metade do que era no ano passado. Parceiros internacionais como os EUA, sentindo o risco, apertaram o cerco. H poucos dias um tribunal americano estabeleceu que a Argentina pague de imediato mais de US$ 1,3 bilho aos credores que se recusaram a participar da reestruturao dos ttulos da dvida externa do pas. Em meados de 2001 a hecatombe argentina atingia seu pico com o calote monstro de US$ 81 bilhes. De l para c, uma sucesso de governos fracassados e sacrifcios sem-fim aos cidados deixaram marcas no pas, que demorou mais do que o esperado para se recuperar. A perspectiva de retorno quela situao tem colocado em alerta inclusive vizinhos membros do Mercosul. A presidenta Dilma, em misso claramente de apoio a Kirchner, chegou a viajar para a Argentina na semana passada e a conclamar a unio dos parceiros do bloco contra as nuvens de crise. Sem um ajuste firme e convincente da mquina do Estado, dificilmente a Argentina escapa da desconfiana global de que ser ela a prxima vtima do caos financeiro, com reflexos possveis em todo o continente.

